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Placas de gesso cartonado, qual a solução a adoptar em Portugal para a protecção à estrutura LSF em incêndio?

  • 4 Dec 2017 08:53
    Message # 5611846
    José Cascão (Administrator)

    Placas de gesso cartonado, qual a solução a adoptar em Portugal para a protecção à estrutura LSF em incêndio?

    1 – OBJECTIVO:

    Atendendo que em Portugal a construção em LSF ainda é uma solução não corrente, com pouca informação e em que existem várias informações contraditórias relativamente a qual das espessuras e tipo de placa de gesso cartonado a aplicar  nas paredes e tectos estruturais, em LSF, de modo a que a estrutura tenha um REI 30 de acordo com a legislação em vigor foi realizado este estudo de forma a se ter conclusões finais sobre este importante assunto.

    É de referir que das conclusões tiradas neste documento servem para obras com LSF que tenham o REI 30 como obrigação (ex: moradias, escritórios, etc), ou para outras com o REI superior devidamente adaptadas.

    2 – INFORMAÇÕES INICIAIS:

    a)    Soluções (1) que apontam para:

    Paredes estr. exteriores: 1 x 15mm placa gesso c. standard

    Paredes estr. Interiores (por face):  1 x 13mm placa gesso c. standard

    Tectos estrutural: 1 x 13mm placa gesso c. standard


    Zona da parede exterior de uma construção em LSF

    b)    Outras soluções (2) que utilizando o Fabricante PLADUR apontam para:

    Paredes estr. exteriores: 2 x 13mm placa gesso c. standard

    Paredes estr. Interiores (por face):  1 x 15mm placa gesso c. standard

    Tectos estrutural: 2 x 13mm placa gesso c. tipo F

    c)    Informações (3) que se encontram em alguns sites sobre o tema:

    "Em geral atinge-se facilmente períodos de resistência ao fogo de 30 minutos em elementos com função estrutural pela utilização de uma placa de gesso laminado."

    "É certo que as estruturas em LSF devido à sua reduzida espessura têm fatores de massividade elevados. … No entanto, o que realmente deve ser analisado não é a resistência de cada perfil metálico estrutural mas sim como é que o conjunto desses elementos se encontra protegido. Ou seja, se dispomos de sistemas de proteção que garantam que os elementos em LSF obedecem às exigências regulamentares de resistência ao fogo."

    "Construção típica em LSF: No caso do sistema LSF, nas situações mais comuns, os perfis verticais que constituem as paredes estão espaçados entre si numa distância regular de 60 cm e todos eles são revestidos, pelo interior, com placas de gesso laminado com 15 mm de espessura."

    "As vigas de piso, também espaçadas a 60 cm, são revestidas com placas de gesso laminado de 13 mm, podendo ser sobrepostas consoante a necessidade.

    d)    Solicitação de informação adicional de forma a se comprovar o ponto c):

    Tendo em atenção o que se encontrava descrito no ponto c) foi solicitado as soluções óptimas para cada caso tendo sido recebido os seguintes ensaios:

    Paredes exteriores:

    Tectos:


    Os ensaios recebidos referem-se a soluções utilizadas no estrangeiro, nomeadamente USA (para as paredes) e Canadá (para os tectos).

    Utilizam placas Gypsum do tipo X com 15,9mm para as paredes e placa tipo X de 12.7mm para tectos. No manual da Gypsum Assoction “Fire Resistence Design Manual” (GA-600-2009) é possível encontrar exactamente qual é a definição deste tipo de placa.

    e)    Tese de João Miguel Pires: “A tabela 2.2 apresenta a espessura típica e número de placas de gesso cartonado resistente ao fogo necessárias para paredes e pisos em aço leve (conhecido como tipo F através da BS EN 520 [23]). As paredes divisórias (não principais) podem utilizar as espessuras padrão.


    [23] BS EN 520:2004 Gypsum plasterboards. Definitions, requirements and test methods, BSI.

    3 – COMPARAÇÃO MATERIAIS EM PORTUGAL/PLACAS GYPSUM:

    Com as equações do “tf” realizadas a partir de ensaios de Alar Just, Joachim Schmid, Jürgen König (tf = Failure time ou Fall-off = tempo desde o inicio do teste até que 1% da área das placas caiu) foi realizado uma tabela onde é possível ficar com uma ideia das diferenças entre materiais.

    Pode-se então observar que para 1 placa standard em paredes ou tectos os tfs encontrados são muito inferiores a 30 minutos pelo que está explicado a razão de não existirem certificações com este tipo de solução.

    Para paredes (usando 2 placas standard ou 2 placas do tipo F) e tectos (usando 2 placas do tipo F) as certificações estão compatíveis com os tfs encontrados.

    No caso de se usar só 1 placa do tipo F em tectos os resultados também estão de acordo com os tfs encontrados, sendo que neste caso os valores são inferiores a 30 minutos, tendo os fabricantes resolvido este problema utilizando mais 1 placa deste tipo ou juntando 2 camadas de isolamento.

    No entanto no caso de paredes e utilizando apenas 1 placa do tipo F (por face) os valores encontrados dos tfs são bastante diferentes das certificações, razão que deverá ser melhor estudada. Esta situação poderá dever-se ao tipo de material das placas, razões de caracter comercial, ou outra situação, no entanto com os materiais encontrados em Portugal não é possível usar este tipo de solução.


    Dos pontos anteriores e da tabela é possível então observar o seguinte:

    a)    Soluções (1):

    Nenhuma das soluções apresentadas é compatível com o REI 30 com os materiais usados em Portugal ou mesmo com qualquer outro Pais.

    b)    Outras soluções (2):

    As soluções de Paredes estr. Exteriores e Tectos estrutural encontra-se de acordo com as certificações do fabricante.

    No entanto a solução para Paredes estr. Interiores (por face) não se encontra correcta, e tendo como base o mesmo raciocínio para as outras soluções a solução a adoptar é  2 x 13mm placa gesso c. standard em vez de  1 x 15mm placa gesso c. standard.

    c)    Informações (3) que se encontram em alguns sites sobre o tema:

    A informação apresentada leva a que possam ser consideradas placas standard de 15 mm para paredes e de 13 mm para tectos o que não está compatível com as soluções estudadas nos vários países.

    Mesmo considerando que as placas são do tipo F, as soluções apresentadas não estão compatíveis com os materiais usados em Portugal (pelo menos os que foram encontrados até ao momento) pelo que estas soluções não estão adaptadas a Portugal.

    d)    Solicitação de informação adicional de forma a se comprovar o ponto c):

    Os ensaios apresentados não são válidos em Portugal.

    A classificação ao fogo deverá ser feita de acordo com os certificados das placas de gesso cartonado que realmente serão instalados.

    e)    Tese de João Miguel Pires:

    As soluções apresentadas não estão adaptadas a Portugal, poderão ser válidas no Reino Unido, com as Normas do Reino Unido (BS) e com o fabricante British Gypsum (situação que deverá ser melhor analisada).

    4 – CONCLUSÃO:

    Dado que em termos de cálculo ainda não existe um consenso bem definido sobre o comportamento mecânico e também para o cálculo simplificado de dimensionamento destes elementos estruturais submetidos a temperaturas elevadas, a classificação ao fogo pode ser feita de acordo com os certificados das placas de gesso cartonado que realmente serão instalados.

    No entanto é importante não confundir o que uma determinada solução oferece no seu conjunto como resistência ao fogo, da protecção que as placas têm para proteger a estrutura de LSF, bem como a regulamentação de cada País que são diferentes, das diferenças dos materiais de cada fabricante e das respectivas certificações.

    Desta forma os ensaios apresentados da USA e do Canadá não servem de referência tal como justificado anteriormente.

    Como solução genérica para um REI 30, a justificar com a respectiva certificação do fabricante teremos com base nas recomendações da European Light Steel Construction Association:

    - Revestimento de paredes estruturais (cada face): 2 x 12,5mm placas tipo F

    - Tectos: 2 x 12,5mm placas tipo F

    Se usado o raciocínio usado em algumas das soluções (não existirem edifícios adjacentes ao que está a ser considerado), bem como da certificação do fabricante PLADUR, a solução corrigida será:

    - Paredes estruturais Exteriores (face int.): 2 x 13mm placa gesso c. standard

    - Paredes estruturais Interiores (por face):  2 x 13mm placa gesso c. standard

    - Tectos estrutural: 2 x 13mm placa gesso c. tipo F

    Faro, Janeiro de 2016

    José António Cascão


    Last modified: 4 Dec 2017 09:21 | José Cascão (Administrator)

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