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O Imobiliário é um instrumento de Oportunidades?

8 Nov 2018 08:31 | Joaquim Almeida


Web Summit é um evento com muito interesse para a nossa economia. Enfoca o nosso país no exterior. Ajuda a criar a marca “Portugal”. É uma fonte de receitas durante o evento com a estadia de muitos empreendedores e investidores nas novas tecnologias digitais.

E depois?

Depois os empreendedores e investidores regressam aos seus países. Continuam a empreender e a investir nos seus países contribuindo para a sua própria riqueza. E, em Portugal, continuamos alegremente a preparar o próximo evento. Porém, o nosso ganho com o evento parece-me muito limitado.

O maior interesse no evento seria reter cá tais empreendedores e investidores. A verdadeira riqueza é a produzida por empresas e pessoas criativas mas que estejam instaladas no nosso país. Caso contrário, o Web Summit não passa de um evento turístico e o país pouco ganha com isso! Tem um alcance curto de médio prazo. Os efeitos do evento têm de ser combinados com outras ações.

O imobiliário tem o elevado potencial de ser o principal setor exportador nacional. Porém, tal não pode limitar-se ao turismo. Tem de ser visto como o trampolim que atrai novos residentes e novas empresas, sobretudo as mais criativas e com elevado potencial. Essas empresas e pessoas só podem instalar-se cá se encontrarem os adequados espaços-tempo com ambientes estimulantes.

Estes temas são tratados com maior pormenor no livro “Uma nova visão sobre o Imobiliário – Plataforma para a criação de riqueza no século XXI” o qual pode ser adquirido através do site https://plataforma-imobiliaria.com.

Se o imobiliário for pensado apenas num âmbito de satisfação de necessidades nacionais de habitação e de produção, então o setor irá passar por dificuldades, dadas as limitações da nossa população e economia. O imobiliário tem enormes oportunidades de crescimento e expansão, mas para tal tem de mudar a orientação estratégica. Deve alargar muito o âmbito dos seus produtos. Deve passar de produtor de bens imobiliários para provedor de serviços e ambientes.

Leia o artigo no LinkedIn “O Promotor Imobiliário é um criador de ambientes?”

O segredo para atrair novos criadores de riqueza não passa apenas por construir casas, mesmo que tenham uma estética premiada ou sejam executados com acabamentos de luxo, um âmbito pobre. Esse tipo de produtos os estrangeiros têm também nos seus países. Não mudam para cá para ter o mesmo e longe de onde podem ganhar. Graças às novas tecnologias de informação e comunicação, o ponto de localização da produção não é já essencial para se ter uma presença global.

O imobiliário não deve ser a fonte de riqueza em si, porque tal perde sustentabilidade, mas o trampolim e suporte para os verdadeiros criadores de riqueza. Para criar valor, o segmento a atingir não precisa de ser o luxo.

O segredo está em criar ambientes atrativos, estimulantes, seguros, estáveis, únicos que sejam percebidos por eles no nosso país. Este objetivo ultrapassa o âmbito do empreendimento imobiliário tradicional. É importante atrair os jovens, criativos e empreendedores, que deixem os seus países e se concentrem em Lisboa ou no Porto para competirem e conviverem aqui uns com os outros. Não precisam de comprar casa. Apenas precisam de aceder a espaços residenciais com toque humano, bom preço, baixos custos fiscais, e com todas as facilidades que necessitam para trabalhar e viver.

A verdadeira riqueza vem da sua produção nesses ambientes criados (co-working, co-living, outros).

O ambiente não se confina ao edificado, um conjunto de peças transformadas a partir de recursos naturais, aplicadas ou moldadas sobre um terreno. Passa também por dispor de um involucro no interior das paredes e tetos com ótimas condições de segurança, de saúde e de conforto, projetados e geridos de forma a serem muito eficientes.

Passa por criar um ambiente com um toque humano, o fator que é diferenciador. Não é tangível, é muito mais complexo e ultrapassa o âmbito do grupo AEC (arquitetura-engenharia-construção). Porém, é o fator que agarra quem interessa atrair, sejam os investidores seniores ou os jovens empreendedores. É um fator que cria o valor extra além do obtido pelo edificado. Mas obriga a recorrer a outras valências ou disciplinas para o seu desenvolvimento vendido sobretudo como  serviço. O marketing é uma valência essencial neste âmbito.

O produto a vender não são casas ou quartos a alugar, sem regras, construídos ou reabilitados em massa, colocados à venda sem atender à sua envolvente humana, social ou cultural. A criação de valor deve ser devido ao serviço que dispõe um clima ameno, numa sociedade segura, no convívio com uma população vizinha hospitaleira e afável (que não é afastada dos centros), que oferece boa alimentação e muitos eventos culturais e artísticos que estimulam a criatividade.  

Passa por implementar um ambiente institucional que atraia o investimento que é necessário para criar verdadeiras “máquinas geradoras de cash-flows”. Esta função é devida sobretudo ao Estado. O ambiente atrativo implica estabilidade e condições fiscais competitivas (seja na menor taxa de IVA, ou do IRC; ou do IRS para atrair os jovens empreendedores). Este ambiente passa por instituir modelos de financiamento do imobiliário mais modernos e competitivos, como os relativos à titularização da propriedade (como os REIT). Este pode servir para atrair as pequenas, mas inúmeras poupanças, ou os capitais estrangeiros que procuram diversificar as suas carteiras e mitigar o risco.

O papel essencial institucional do Estado não deve limitar-se à fiscalidade e à legislação favorável. Deve existir um interesse estratégico para atrair jovens, nacionais e estrangeiros, sobretudo aqueles com elevado potencial empreendedor e conhecimento, fixá-los no território onde podem criar laços humanos e assim as suas famílias.

O papel do Estado deve passar por assegurar as atuais condições de segurança que o país usufrui, com todo o empenho para que as policias e os restantes órgãos de segurança cumpram a sua função. O papel do Estado deve incentivar a eficiência dos seus organismos técnicos e administrativos que aprovam e licenciam os empreendimentos imobiliários, mitigando o risco do nosso mercado se tornar desinteressante para os investidores nacionais e estrangeiros.

Lisboa, 5 de Novembro de 2018

João Correia Gomes   


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